Alarmante!
MT registra 28 feminicídios em 2025: apenas 2 vítimas com Medidas Protetivas em vigor
Esses 28 feminicídios deixaram ao menos 44 filhos órfãos, muitos deles ainda crianças ou adolescentes.
Dados do
Observatório Caliandra, mantido pelo Ministério Público de Mato Grosso, mostram
que, entre janeiro e junho de 2025, o estado registrou 28 casos de feminicídio
— e apenas duas vítimas tinham medida protetiva em vigor contra o autor do
crime. E um dado alarmante, 85,7% delas sequer haviam registrado boletim de
ocorrência antes de serem mortas.
·
O feminicídio é um assassinato praticado contra
uma mulher, especialmente pelo fato da vítima ser mulher, motivado por
violência doméstica ou discriminação de gênero.
Mais de 70%
dos crimes ocorreram dentro da casa das vítimas, ambiente que deveria ser o
mais seguro. Em grande parte dos casos, os crimes foram praticados com uso
de armas cortantes ou perfurantes, como facas, facões e canivetes (46,4%).
- Arma
cortante ou perfurante: 46,4%
- Arma
de fogo: 32,1%
- Instrumento
contundente: 10,7%
- Asfixia/extrangulamento:
7,1%
- Fogo:
3,6%
Quanto às
faixas etárias mais atingidas, estão as de 25 a 29 anos e 40 a 44 anos.
- 12 a
17 anos: 14,3%
- 18 a
24 anos: 10,7%
- 25
a 29 anos: 21,4%
- 30 a
34 anos: 7,1%
- 35 a
39 anos: 7,1%
- 40 a
44 anos: 17,9%
- 50 a
54 anos: 14,3%
- 60
anos ou mais: 3,6%
Em 20 dos
assassinatos, o autor tinha ou teve relacionamento amoroso com a vítima — sendo
companheiro atual em 14 casos e ex-companheiro em 6.
Um dado que
aprofunda ainda mais a tragédia: esses 28 feminicídios deixaram ao
menos 44 filhos órfãos, muitos deles ainda crianças ou adolescentes,
segundo o MP. Esses jovens, além de perderem a mãe de forma brutal, enfrentam
traumas e, muitas vezes, ficam sob cuidados de familiares em situações de
fragilidade emocional e econômica.
A promotora
Claire Vogel, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica,
alerta que os dados reforçam a necessidade urgente de políticas de prevenção,
proteção e acolhimento. “As estatísticas não podem ser vistas como números
frios. São histórias interrompidas e famílias devastadas”, afirmou.
Apesar da
existência de leis e canais de proteção, a subnotificação ainda é uma barreira
crítica. A maioria das vítimas não formalizou denúncias, nem acionou a Justiça
antes de morrer. A falta de informação, o medo e a dependência emocional ou
financeira ainda impedem muitas mulheres de pedir ajuda.
Como pedir
ajuda
Mulheres em
situação de violência podem buscar atendimento por diversos canais:
- Disque
180 – Central de Atendimento à Mulher: funciona 24h, de forma
anônima e gratuita.
- Delegacias
Especializadas de Defesa da Mulher (DEDM) – Atuam presencialmente
em várias cidades de Mato Grosso.
- Aplicativo
“SOS Mulher” (disponível para Android e iOS) – Permite pedir
socorro rápido à polícia.
- Defensoria
Pública e Ministério Público – Oferecem orientação jurídica
gratuita.
- Centros
de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) – Apoio psicológico,
social e orientação legal.
O Clique
Notícias reforça a importância de denunciar qualquer sinal de violência e
divulgar os canais de apoio. Romper o silêncio pode salvar vidas.

