A Casa caiu
Quatro são presos no gabinete do prefeito em Alta Floresta
Associação criminosa, falsificação e usurpação de função pública são os crimes
Quatro homens foram presos na manhã desta quinta feira, 03, dentro do gabinete do Prefeito Chico Gamba, em Alta Floresta, por pelo menos três crimes, conforme a polícia militar. Falsificação de selo ou sinal público, associação criminosa e usurpação de função pública estão entre os crimes constatados pela polícia.
Apesar de ainda não ter chegado ao real objetivo do grupo, a polícia militar suspeita que o grupo pretendia aferir algum lucro, acessando recursos ou outras fontes. O que chama a atenção, segundo a PM, é que eles visitaram a Prefeitura, visitaram a Polícia Civil e visitaram outras instituições, incluindo o próprio Comando Regional da Polícia Militar.
A polícia esteve em um endereço, onde o grupo alugou um imóvel. Apesar das buscas por eventuais armas, não houve nenhuma localização nesse sentido. Mas a Polícia apreendeu materiais como distintivos, uniformes, carteiras com nomenclaturas de Conselho Federal Parlamentar e outros apetrechos, incluindo uma suposta viatura, na cor preta, com escritas como Delegacia ambiental e com cores que lembram viaturas como da própria Polícia Federal.
“Essa analogia a órgão da segurança é totalmente fora da
legislação” afirmou o Comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar de Alta
Floresta, Major Cunha, em entrevista ao vivo ao apresentador do programa Olho Vivo,
da TV Nativa, Oliveira Dias.
Conforme o oficial, o grupo se reunia com o Secretário de Finanças do município, quando foram presos, dentro do gabinete do prefeito. “Eles tinham uma agenda na prefeitura, se identificaram lá e foram identificados presos lá. Estavam dentro da administração municipal, usando todo esse plano de fundo” falou o Comandante.
“Absurdo e totalmente improcedente”
Um dos presos se apresenta como Presidente do Confep, um
suposto conselho que segundo a polícia trata-se de uma instituição pública de
direito privado. Alberto Tineo Jr, também preso em flagrante, nega a prática de
crimes. Ele reclama da abordagem e diz que a polícia militar não oportunizou
sequer uma explicação, citando o contraste com o atendimento recebido da própria
instituição no dia anterior, na pessoa e outro oficial militar.
“Como a gente vai aplicar um golpe, onde o presidente se
dirige à todas as autoridades?” questionou Alberto. “O conselho existe há mais
de vinte anos. É uma organização da sociedade civil focada no interesse público”
disse o suposto presidente. Segundo ele, o trabalho é qualificado pelo
Ministério da Justiça, que também tem o brasão utilizado pelo grupo.
Apesar das investidas e dos materiais apreendidos, sem
muitas explicações sobre o porque do uso de tantos artifícios, Alberto sustenta,
mesmo preso, que a atividade não é ilegal. “A organização pode ser instalada em
todo o território nacional e aqui foi escolhido por ser um polo em crescente
desenvolvimento” explicou o “presidente”.
“A primeira coisa que nós fazemos, apesar de não precisar, nós nos apresentamos à todas as autoridades do município, para que saibam que nós estamos aqui e somos uma instituição regular” defende Tineo Jr.
“Carteirada”
O Comandante do 8º Batalhão da PM, Maor Cunha, á frente da
operação, disse que o grupo se apresentou travestido de polícia, de símbolos, para
acessar alguma vantagem. “O que chama a atenção é todo essa carteirada, usando
distintivo, usando carteira com brasão da república, viatura caracterizada,
delegacia do meio ambiente e na verdade não tem vínculo nenhum com o serviço
público federal”
Ele orienta a população a denunciar qualquer eventualidade de natureza suspeita, frente ao crescente número de casos de estelionato. “A gente está com o serviço de inteligência exatamente pra isso. Para levantar as informações”, falou o Comandante, salientando que o grupo também usa nomenclaturas genéricas, mas que confundem como é o caso dos termos "Delegado e Procurador".
Por fim, o oficial comandante desabafa. “O camarada chega no
nortão de Mato Grosso, vindo lá do estado de São Paulo ou Brasília, achando que
a gente aqui não tem conhecimento, desconhece as coisas”.

