“Tarifaço”
Presidente da Famato critica o embate entre Brasil e EUA
Vilmondes Tomain comentou o assunto no Programa Giro Rural.
Em sua visita à Alta Floresta, ainda durante a realização da Tecnoalta 2025, Vilmondes Tomain defendeu o que chamou de “diplomacia de recuo” e cobrou responsabilidade das autoridades do Brasil nas discussões sobre o “tarifaço” dos EUA (Estados Unidos da América) aos produtos brasileiros, que está deixando o mercado agitado nas últimas semanas.
O Presidente da Famato (Federação da Agricultura e Pecuária
de Mato Grosso), foi entrevistado no Programa Giro Rural, apresentado pela
jornalista Daiane Carvalho, no rádio e na TV. Durante suas declarações em
resposta à apresentadora, sobre a crise diplomática que ameaça perspectivas
econômicas, principalmente no segmento do agronegócio, ele foi categórico e
contido ao falar.
“Eu vejo que essa é uma questão que envolve chefe de estado.
Acho que é um momento de discussão diplomática, porque essa discussão é à nível
de presidentes e eu não fico preocupado, porque eu acho que a gente tem que
tratar esse assunto com responsabilidade” declarou Tomain ao Giro Rural.
Apesar de sua cautela, durante a entrevista, ele analisou a
postura do Brasil. “A gente tem hora que assiste as notícias e eu vejo, por
nossa parte, nossa parte que eu digo, o Brasil, e tem hora que quer ir para o
embate. Isso não é bom! O preço e o reflexo disso é encima das pessoas. Não estou
falando só do produtor rural, mas de todos os brasileiros que amanhã ou depois
possam estar pagando a conta” disse.
Mesmo consciente dos riscos das consequências, o presidente
da Famato diz preferir respeitar a liturgia dos cargos e suas responsabilidades.
“A responsabilidade cabe e compete às pessoas que estão falando por nós. É preocupante,
sim. É momento de a gente ficar sempre atento, nos próximos capítulos” observa
Tomain.
Pela sua experiência, o presidente considera alto os riscos
de consequências do “tarifaço”, imposto pelo presidente norte americano, Donald
Trump, sobre os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. “Vai acontecer,
se não tiver uma diplomacia de recuo da nossa parte. A gente pode sofrer uma
consequência que talvez a gente não saiba calcular. É um momento de tensão. A gente
depende de mercados. Todos nós sabemos disso. A gente produz produtos
primários. É alimento. É comida. Praticamente tudo que produz no nosso estado,
no Mato Grosso, é para exportação”, pontuou o Vilmondes.
Tomain considera que o setor mais afetado em Mato Grosso seja
a carne, a pecuária, mas reconhece que outros setores também serão impactados,
como a produção de grãos, o comércio, entre outros. “Nós sabemos que o Mato
Grosso, ele é uma potência gigante na produção. Nós temos uma população pequena
e o que se produz aqui é praticamente para atender o mercado externo” lembra o
presidente.
Ele acredita que alguns parlamentares já trabalham para
amenizar os efeitos, mas ressalta que é necessário o bom senso para que se
possa alcançar um resultado de uma negociação que satisfaça, tanto os Estados
Unidos, quanto o Brasil. “É isso que a gente espera” finalizou.

