“Encurralado”
Prefeito se irrita e “bate boca” com servidores da coleta em Alta Floresta
Vídeo vaza e mostra o momento da discussão acalorada.
O “bate-boca” aconteceu no início da tarde desta segunda-feira, 29 de dezembro. O prefeito se reuniu com coletores para sanar algumas questões agravadas pela crise provocada com o corte de horas extras, que dava à classe uma condição de complementar os ganhos e alcançar um pouco mais de dignidade salarial.
Ao ser cobrado pela classe dos servidores da coleta de lixo
de Alta Floresta, o prefeito se alterou e “bateu boca” com um dos servidores,
momento marcado por gesticulações agressivas e falas exaltadas.
“Seu Chico, quantos anos o senhor está no mandato para
deixar chegar nessa situação de cortar hora extra?”, questionou o servidor. “Eu
estou há cinco anos”, respondeu o prefeito, que continuou: “Cortou porque, no
momento, precisou. Quando não precisou, não cortou”, falou Gamba. Segundo o
prefeito, “administrador é isso. Administrador faz aquilo que pode, aquilo que
dá certo”, disparou.
O momento, marcado pelo calor da discussão, aconteceu na
presença de dezenas de servidores, no pátio da Secretaria de Obras, onde a
reunião foi realizada. Uma fonte do Clique Notícias informou que o motivo da
reunião foi que, com a insatisfação da classe, os trabalhadores pararam de
fazer “correria” e passaram a trabalhar em um ritmo normal, que não atende à
necessidade do município.
“A cidade cresceu e a gente já pediu para contratarem mais
uma equipe, porque a gente não está mais dando conta”, enfatizou a fonte, que
pediu preservação de sua identidade, temendo sofrer perseguição no serviço
público.
No vídeo gravado de forma escondida durante a reunião, o
prefeito reclamou que a equipe, em determinados momentos, trabalhou em uma
modalidade chamada de “tarefa” pela administração. “(SIC) Vocês fez tarefa,
trabalhou quatro, cinco horas por dia e recebeu dez. Tá ruim? E estão
reclamando? Da vantagem o senhor não fala, só fala das desvantagens. Tem que
ser honesto. Eu gosto de gente honesta”, disse o prefeito em meio à discussão.
Apesar da fala do prefeito, a classe contesta a informação
de que recebeu a mais em algum momento e defende que o modelo de correção de
desfasagem salarial está sendo confundido pelo prefeito como se fosse um
“benefício” para a categoria.
O corte faz parte do pacote de medidas adotadas pela administração, conforme um decreto baixado pelo prefeito para o reequilíbrio das finanças do município. No mesmo pacote, outras medidas foram determinadas, como a suspensão de férias e de alguns adicionais, como diárias, entre outros, após o descontrole das contas públicas do município.

