Mato Grosso enfrenta grave crise em UTIs

Mesmo com liminares garantindo a vaga, pacientes morrem à espera.

Redação/Wendy Oliveira

Mato Grosso enfrenta uma crise grave na ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na rede pública de saúde. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), 98% dos 829 leitos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão ocupados, o que tem dificultado a transferência de pacientes em estado grave, inclusive aqueles com decisões judiciais que determinam a internação.

Um caso que representou dolorosamente essa situação aconteceu em Cuiabá. O pastor Luciano, de 56 anos, que estava internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Leblon, aguardava a transferência para uma UTI. Mesmo com uma liminar judicial garantindo a vaga em até 48 horas — posteriormente prorrogada por mais 24 horas — a transferência não foi realizada. Luciano morreu no último sábado (2), sem ter acesso ao atendimento que precisava.

Segundo a SES, a alta demanda por leitos está concentrada nas especialidades de neurologia, cardiologia e vascular, que correspondem aos casos de maior urgência. Ainda conforme a pasta, houve tentativas de localizar uma vaga tanto na rede pública quanto privada, mas sem sucesso.

A Defensoria Pública, que prestou apoio jurídico à família da vítima, chegou a solicitar a prisão do secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, por descumprimento da decisão judicial. O caso também foi levado ao Ministério Público e à Ouvidoria do SUS.

Diante da situação, a SES informou que o sistema está sobrecarregado, mas que novas estruturas hospitalares estão em fase de conclusão. Entre elas, o Hospital Central de Alta Complexidade, que promete aumentar a capacidade de atendimento no estado, embora ainda não haja data definida para o início das operações.

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