Política

Gestão de Marcelo Costa em Alta Floresta marcada por contrastes

O ex-secretário de Saúde de Alta Floresta, Marcelo de Alécio Costa, encerrou seu ciclo na pasta em 27 de março de 2026, após a prefeitura antecipar sua exoneração via errata ao Decreto nº...

Gestão de Marcelo Costa em Alta Floresta marcada por contrastes

O ex-secretário de Saúde de Alta Floresta, Marcelo de Alécio Costa, encerrou seu ciclo na pasta em 27 de março de 2026, após a prefeitura antecipar sua exoneração via errata ao Decreto nº 175/2026. Em balanço, durante entrevista à Radio Conti, de Carlinda, Costa defendeu sua administração citando o cumprimento de metas de vacinação e reformas estruturais, atribuindo sua saída a motivações políticas.

Entretanto, sua trajetória foi cercada de controvérsias e pressões externas. Antes mesmo da saída, o gestor foi alvo de convocações pela Câmara Municipal para explicar falhas no atendimento público, incluindo a falta de cirurgias eletivas e carência de especialistas em ginecologia.

Relatos de servidores e decisões judiciais apontam um cenário de crise interna, com denúncias de perseguição a conselheiros de saúde e profissionais como Marcelo Weber e o enfermeiro Rogério Silva. A judicialização de atos administrativos revelou indícios de uso da Controladoria para punir opositores e cercear o controle social.

Nomeado em janeiro de 2025 sob críticas por investigações anteriores, Costa deixa o cargo em um ambiente de forte tensão e adoecimento de servidores. A gestão agora busca estabilidade diante das graves acusações de assédio e má administração da rede pública.

Saída de secretário expõe embate entre discurso e denúncias

O ex-secretário de Saúde de Alta Floresta, Marcelo de Alécio Costa, cujo último dia à frente da pasta foi em 27 de março, concedeu entrevista na manhã desta segunda-feira (30) à rádio Conti, de Carlinda, onde apresentou um balanço de sua gestão. Durante a conversa com o radialista Amarildo Ferreira, ele destacou ações e resultados que, segundo sua versão, consolidaram uma administração eficiente. No entanto, informações oriundas de processos judiciais e denúncias públicas trazem um contraponto que aponta para um cenário de crise, conflitos internos e judicialização.

Na entrevista, Costa sustentou que sua gestão foi marcada por avanços técnicos, como o alcance de 100% das metas de vacinação, incluindo imunizações como BCG. Ele também citou reformas em unidades de saúde, como o PSF Vila Nova, além da reativação de prédios públicos para funcionamento do CAPS e do Conselho Municipal de Saúde, o que teria gerado economia com aluguéis. O ex-secretário afirmou ainda que deixou a rede com cobertura médica integral nos PSFs e atribuiu sua exoneração a “questões exclusivamente políticas”, relacionadas à sua fidelidade ao senador Jaime Campos, alegando que o prefeito Chico Gamba teria agido para conter uma crise política maior.

Ao comentar conflitos com o Conselho Municipal de Saúde, Costa minimizou os episódios, classificando-os como questões pessoais envolvendo servidores que, segundo ele, resistiam a cumprir suas funções. Ele defendeu medidas mais rígidas adotadas durante sua gestão, justificando-as como necessárias para promover ajustes, chegando a afirmar que era preciso “cortar na carne”.

Entretanto, relatos documentados em ações judiciais e manifestações públicas apresentam uma versão distinta.

O servidor efetivo e conselheiro de saúde Marcelo Weber dos Santos aparece como uma das principais figuras desse embate. Segundo registros, ele teria sido alvo de perseguição após exercer seu papel fiscalizador. Após ter pedidos de licença-prêmio negados sem justificativa técnica, Weber foi removido de forma considerada punitiva de seu local de trabalho no CER. Laudo médico apontou relação entre o ambiente de trabalho e seu adoecimento mental, resultando em afastamento de 90 dias. A Justiça interveio no caso, suspendendo atos administrativos e garantindo direitos ao servidor.

Outro caso citado é o do enfermeiro Rogério Francisco da Silva, conhecido como Rogerinho, ex-coordenador do PAM.

Em vídeo divulgado publicamente em suas redes sociais, ele denunciou o que classificou como desmonte de direitos adquiridos. Segundo o relato, houve mudanças no cálculo de folgas e horas extras que vinham sendo aplicadas há décadas, sem observância da legislação vigente. Ele também mencionou um ambiente de intimidação, no qual servidores contratados temeriam demissões e efetivos seriam ameaçados com abertura de processos administrativos disciplinares.

Há também o caso do fisioterapeuta André Brito, apontado como mais um profissional afastado de suas funções e submetido a processo administrativo.

As denúncias sugerem que órgãos como a Controladoria e o setor jurídico teriam sido utilizados para emitir pareceres que, segundo os relatos, distorceriam normas e cálculos com o objetivo de punir servidores considerados opositores da gestão.

A análise de um mandado de segurança cível reforça essas alegações ao indicar que a Controladoria Geral do Município teria atuado para constranger o controle social. Conforme entendimento judicial, sindicâncias abertas contra conselheiros teriam caráter punitivo, ainda que apresentadas como apurações preliminares, violando princípios como o direito à ampla defesa. Um parecer emitido pelo órgão também foi interpretado como tentativa de interferir na autonomia do Conselho Municipal de Saúde.

Diante desse cenário, a saída de Marcelo Costa ocorre em meio a narrativas opostas. Enquanto o ex-secretário afirma ter encerrado sua gestão com resultados positivos e dever cumprido, documentos e denúncias indicam um ambiente de tensão, judicialização e adoecimento de servidores. O episódio evidencia um quadro de instabilidade administrativa que marcou a condução da saúde pública em Alta Floresta.

Jornal O Diário
31 de março de 2026
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