Alta Floresta - MT, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Agronegócio

MT bate 51 milhões de toneladas de soja, mas clima e custos ligam alerta no campo

Mato Grosso segue como potência no agro, mas nem tudo são boas notícias. A safra 2025/26 de soja deve ultrapassar 51 milhões de toneladas, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (6) pelo...

MT bate 51 milhões de toneladas de soja, mas clima e custos ligam alerta no campo

Mato Grosso segue como potência no agro, mas nem tudo são boas notícias. A safra 2025/26 de soja deve ultrapassar 51 milhões de toneladas, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (6) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária.

Os números foram apresentados durante coletiva em Cuiabá, em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio, após um levantamento que percorreu todas as regiões do estado.

Ao todo, foram mais de 34 mil quilômetros rodados, quase mil lavouras avaliadas e mais de dois meses de trabalho em campo para mapear a realidade da produção.

O resultado: produtividade média saltando para 66 sacas por hectare e uma estimativa de 51,56 milhões de toneladas — crescimento tímido em relação ao ciclo anterior, mas suficiente para manter Mato Grosso no topo da produção nacional.

Mas por trás dos números positivos, o cenário acende um sinal de alerta.

Segundo o analista do Imea, Henrique Eggers, o clima foi um dos principais vilões da safra. A irregularidade das chuvas ao longo do ciclo e o excesso de água no período de colheita afetaram diretamente a qualidade dos grãos.

Na prática, isso significa perda de peso e dificuldade para bater recordes mais expressivos.

O levantamento também escancarou desigualdades entre regiões. Enquanto o Norte teve desempenho acima da média, com grãos mais pesados e maior produtividade, áreas do Sudeste e Nordeste enfrentaram queda no rendimento.

Para o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, o grande destaque da safra foi a resistência do produtor rural.

Mesmo enfrentando seca no início do plantio e excesso de chuva na reta final, o estado conseguiu manter níveis elevados de produção — o que reforça a força do agro mato-grossense.

Ainda assim, o problema agora é outro: o bolso.

A rentabilidade da safra preocupa e deve pesar nas próximas decisões do produtor. Custos elevados, oscilações do dólar e o cenário internacional, especialmente conflitos externos, podem impactar diretamente o planejamento da próxima temporada.

Outro ponto de atenção é o crescimento mais lento da área plantada, que deve chegar a cerca de 3 milhões de hectares. O avanço continua, mas já não tem o mesmo ritmo de anos anteriores.

Apesar dos desafios, Mato Grosso deve fechar mais um ciclo acima das 50 milhões de toneladas — consolidando, mais uma vez, sua posição como principal produtor de soja do Brasil.

Redação - assessoria Aprosoja MT
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