Polícia
Trabalhadores gaúchos denunciam agressões, ameaças e retenção salarial em fazenda de Alta Floresta; empreiteiro é preso
Polícia investiga possível condição análoga à escravidão em propriedade rural na comunidade Rio Verde; suspeito nega acusações e caso será apurado pela Polícia Civil
Uma denúncia de agressão física acabou revelando indícios de possíveis irregularidades trabalhistas em uma propriedade rural de Alta Floresta. Na manhã de sexta-feira (22), a Polícia Militar atendeu uma ocorrência na comunidade Rio Verde, às margens da rodovia MT-208, envolvendo relatos de ameaças, retenção de salários e condições que podem caracterizar trabalho análogo à escravidão. Um homem de 39 anos, identificado como responsável pela contratação dos trabalhadores, foi detido e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil.
A ocorrência teve início após um dos funcionários procurar ajuda e relatar ter sido agredido pelo empreiteiro responsável pela equipe. Ao chegarem ao local, os policiais ouviram dois trabalhadores, de 19 e 33 anos, que apresentaram versões semelhantes sobre a forma como foram contratados e as condições enfrentadas desde que deixaram o Rio Grande do Sul para trabalhar na região Norte de Mato Grosso.
Segundo os relatos, a viagem começou com a promessa de trabalho temporário por cerca de três meses. Antes de chegarem a Alta Floresta, o grupo passou por Mato Grosso do Sul executando serviços em outra localidade. Já em território mato-grossense, os trabalhadores foram alojados em uma residência pertencente ao contratante, localizada na comunidade Rio Verde, de onde eram transportados diariamente para a fazenda onde desempenhavam suas atividades.
Durante os depoimentos, os trabalhadores afirmaram que, nos últimos dias, o relacionamento com o empregador havia se deteriorado. Conforme narrado à polícia, o suspeito passou a demonstrar insatisfação com o rendimento da equipe e teria feito ameaças relacionadas à permanência deles no estado, chegando a dizer que os deixaria sem dinheiro suficiente para retornar ao Rio Grande do Sul.
Outro ponto que chamou a atenção dos policiais foi a forma de pagamento relatada pelas vítimas. De acordo com os trabalhadores, apenas metade do salário combinado era paga mensalmente, ficando a outra parte retida para ser quitada apenas ao término do contrato, após os três meses previstos de trabalho.
A situação teria se agravado na manhã da própria sexta-feira. Durante o deslocamento para a fazenda, o empreiteiro acusou os funcionários de terem furtado uma caixa de som de sua residência. Um dos trabalhadores negou qualquer envolvimento e, segundo seu relato, acabou sendo agredido com tapas e chutes durante a discussão.
Diante das denúncias, os militares realizaram diligências e vistoriaram o imóvel utilizado como alojamento pelos trabalhadores. Fotografias das instalações foram registradas e anexadas ao boletim de ocorrência para subsidiar as investigações.
Inicialmente, o suspeito não foi encontrado na propriedade. No entanto, durante o retorno da equipe policial, ele foi localizado em uma estrada próxima à fazenda. Após ser abordado, recebeu voz de prisão e foi conduzido ao quartel da Polícia Militar para o registro da ocorrência, sendo posteriormente encaminhado à Delegacia de Polícia Civil.
O caso agora será analisado pelas autoridades competentes, que deverão apurar tanto as denúncias de agressão e ameaça quanto as possíveis irregularidades trabalhistas apontadas pelos trabalhadores. Dependendo do resultado das investigações, o episódio poderá envolver órgãos especializados na fiscalização das relações de trabalho e na apuração de condições degradantes ou análogas à escravidão.
Até o momento, não houve divulgação oficial da versão apresentada pelo suspeito sobre as acusações registradas no boletim de ocorrência.

