Em Alta Floresta

Volume de chuva no primeiro semestre fica abaixo da média e aumenta preocupação com estiagem

Entre janeiro e junho foram registrados 1.063,9 milímetros de precipitação, enquanto a média histórica para o período é de 1.250,7 milímetros

Volume de chuva no primeiro semestre fica abaixo da média e aumenta preocupação com estiagem
Professor Dr. Edgley Pereira da Silva, coordenador do Boletim Agrometeorológico (foto: Rádio Progresso FM)

O volume de chuvas registrado em Alta Floresta durante o primeiro semestre de 2026 ficou abaixo da média histórica e acendeu um sinal de alerta para o setor agropecuário e para a gestão dos recursos hídricos no município. Os dados constam na 27ª edição do Boletim Agrometeorológico, elaborado pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), que acompanha as condições climáticas e fornece informações para o planejamento das atividades rurais.

Segundo o levantamento, entre janeiro e junho foram registrados 1.063,9 milímetros de precipitação, enquanto a média histórica para o período é de 1.250,7 milímetros, resultando em um déficit de aproximadamente 186,8 milímetros de chuva.

Embora os meses de janeiro, fevereiro, março e abril tenham concentrado os maiores volumes de precipitação, a chegada da estiagem foi marcada por uma redução significativa das chuvas. Em maio foram registrados apenas 63,3 milímetros, enquanto junho acumulou somente 13,4 milímetros, índices considerados baixos para a manutenção da umidade do solo.

O cenário preocupa principalmente os produtores rurais, já que a redução das chuvas compromete a disponibilidade de água para lavouras e pastagens, aumenta os custos com irrigação e pode afetar o desenvolvimento de culturas agrícolas e a produção pecuária durante o período seco. Em atividades que dependem de irrigação, como a cafeicultura, horticultura e fruticultura, a menor disponibilidade hídrica exige maior planejamento para evitar perdas na produtividade.

Além dos reflexos no campo, o déficit pluviométrico também reforça a necessidade de atenção ao abastecimento de água da população. A redução das chuvas diminui a recarga dos mananciais que abastecem o município, podendo aumentar a pressão sobre o sistema de captação e distribuição, especialmente caso a estiagem se prolongue e o consumo permaneça elevado.

O boletim também apresenta as médias mensais de temperatura, que oscilaram entre 26,1°C e 28,3°C no período analisado. Temperaturas elevadas associadas à baixa umidade do ar favorecem o aumento da evaporação, intensificando o ressecamento do solo e elevando o risco de queimadas, situação comum durante os meses de inverno na região.

Outro indicador analisado é o Balanço Hídrico Climatológico (BHC), utilizado para avaliar a disponibilidade de água no solo ao longo do ano e orientar o manejo agrícola. A ferramenta auxilia produtores na definição de estratégias para irrigação, plantio e conservação da umidade do solo.

Para o trimestre de julho, agosto e setembro, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) aponta um acumulado entre 100 e 150 milímetros de chuva para a região de Alta Floresta, volume considerado reduzido e característico do período seco.

O boletim ainda compara os índices anuais de precipitação dos últimos anos. Em 2023, o município registrou 1.653,9 milímetros de chuva; em 2024, foram 1.956,7 milímetros; e, em 2025, o acumulado chegou a 2.341,1 milímetros, superando a média histórica anual de 2.158,7 milímetros.

Produzido pelo projeto de extensão Boletim Agrometeorológico, da UNEMAT, o estudo tem como objetivo fornecer informações técnicas para auxiliar agricultores, pecuaristas, instituições e gestores públicos na tomada de decisões, contribuindo para o planejamento da produção rural e para a gestão sustentável dos recursos hídricos no município.


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