Alta Floresta - MT, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Polícia

PF investiga servidores e geólogos em fraude de quase R$ 1 bilhão

Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão

PF investiga servidores e geólogos em fraude de quase R$ 1 bilhão
Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (28/3) a Operação Parcours, revelando um dos maiores esquemas de corrupção e fraudes ambientais do setor mineral brasileiro. A investigação, conduzida em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e com o apoio do Ministério Público Federal (MPF), expôs uma associação criminosa que atuava desde 2014 e teria causado prejuízos de quase R$ 1 bilhão à União e ao meio ambiente.

O esquema envolvia servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM) e geólogos contratados por uma empresa privada — cujo nome ainda não foi divulgado — suspeita de operar de forma irregular em áreas de exploração mineral. O grupo usava sua posição estratégica para facilitar a obtenção de licenças, burlar controles e prolongar ilegalmente atividades minerárias em desacordo com a legislação ambiental e regulatória.

Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em diferentes cidades, além do bloqueio de bens e ativos no valor de R$ 832 milhões. A 3ª Vara Federal Criminal de Minas Gerais determinou ainda o afastamento imediato de dois servidores públicos da ANM e a suspensão das atividades minerárias da empresa investigada.

Segundo os investigadores, havia um conluio sistemático entre agentes públicos e consultores técnicos para maquiar informações geológicas, fraudar relatórios ambientais e ocultar danos causados pela exploração ilegal de recursos minerais. A fraude também teria provocado graves impactos ambientais em áreas de extração, ainda não totalmente mensurados.

Manipulação de dados

Os geólogos contratados pela empresa atuavam como facilitadores técnicos, elaborando laudos sob medida para justificar pedidos de lavra ou renovação de concessões. Em contrapartida, servidores da ANM favoreciam a empresa nos trâmites burocráticos e omitiriam irregularidades detectadas nos processos.

O nome Parcours, que dá título à operação, é uma referência à ideia de “trajeto” ou “caminho”, simbolizando o caminho ilegal percorrido pela empresa investigada para fraudar o sistema de regulação mineral do país.

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