Política
Divisa entre Mato Grosso e Pará avança no STF e pode ter solução após décadas
Conciliação proposta pelo ministro Flávio Dino abre caminho para resolver impasse que afeta famílias ligadas a Alta Floresta e Paranaíta
Um problema antigo, que há anos faz parte da realidade de quem vive na região de divisa entre Mato Grosso e Pará, começou a dar sinais concretos de solução. A pauta chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) e avançou após uma articulação conjunta de lideranças mato-grossenses em Brasília.
O encontro foi conduzido pelo ministro Flávio Dino e reuniu parlamentares, representantes do Governo do Estado, da Assembleia Legislativa e lideranças municipais, incluindo o prefeito de Paranaíta, Osmar Moreira.
Na prática, o que está em jogo vai muito além de uma linha no mapa. Centenas de famílias que vivem no sul do Pará dependem diretamente de municípios como Alta Floresta e Paranaíta para acessar serviços básicos, como saúde, educação e segurança. Embora estejam oficialmente em território paraense, é em Mato Grosso que essas pessoas encontram atendimento.
A dificuldade de acesso ajuda a explicar essa realidade. Em alguns casos, o deslocamento até cidades do Pará pode chegar a cerca de 800 quilômetros. Soma-se a isso o fato de que a região é cercada por áreas indígenas protegidas, o que impede a abertura de novas estradas e torna a logística praticamente inviável.
Outro entrave é jurídico. Mesmo atendendo essa população há anos, os municípios de Mato Grosso ficam limitados quando o assunto é investimento em infraestrutura nessas áreas, justamente porque pertencem oficialmente ao Pará. Na prática, isso trava soluções mais amplas e duradouras.
Diante desse cenário, o ministro Flávio Dino propôs a realização de uma audiência de conciliação entre os dois estados — um passo considerado decisivo para tentar construir uma solução definitiva.
Para o prefeito de Alta Floresta, Chico Gamba, o avanço representa uma mudança importante no rumo da discussão.
“Nós convivemos com essa realidade há muito tempo. Essa proposta de conciliação traz uma esperança concreta de resolver o problema de forma definitiva, garantindo mais dignidade para essas famílias”, destacou.
A mobilização conjunta das lideranças foi fundamental para dar visibilidade nacional ao tema e destravar o diálogo institucional. Mais do que uma disputa territorial, a questão envolve qualidade de vida, acesso a serviços públicos e o desenvolvimento de toda uma região.
Agora, a expectativa é de que, com a mediação do STF, o diálogo entre Mato Grosso e Pará avance nos próximos meses, abrindo caminho para uma solução jurídica que finalmente acompanhe a realidade de quem vive na região.

