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Troca de identidade entre primos para carreira no futebol termina regularizada pela Justiça após mais de 20 anos

Caso começou em 2002 para permitir que um jovem seguisse no futebol profissional e só foi descoberto após cruzamento de dados em 2024

Uma história incomum envolvendo dois primos de Alta Floresta e Colíder, no norte de Mato Grosso, ganhou repercussão após a Justiça autorizar oficialmente a permanência da troca de nomes utilizada pelos dois há mais de duas décadas. O caso começou ainda em 2002, quando a família decidiu trocar a documentação dos primos para permitir que um deles pudesse seguir carreira no futebol profissional.

Segundo relatado, o primo mais novo se destacava no esporte e chegou a receber uma oportunidade para atuar profissionalmente no Brasil. Porém, na época, ele ainda era menor de idade e não atendia aos requisitos necessários para seguir na carreira. Diante do sonho da família e da oportunidade considerada única, foi realizada a troca das identidades.

Na prática, um dos primos tirou documentos utilizando a certidão de nascimento do outro, fazendo com que o jovem atleta passasse a utilizar oficialmente o nome do primo. A estratégia acabou funcionando e o jogador conseguiu desenvolver a carreira no futebol, chegando inclusive ao cenário profissional europeu.

Enquanto isso, o outro primo permaneceu em Mato Grosso, construiu família, carreira e toda a sua vida social utilizando o nome trocado. Com o passar dos anos, a situação acabou se tornando algo natural dentro da própria família e também perante a sociedade, já que bancos, empresas, instituições e órgãos públicos conheciam ambos apenas pelas identidades assumidas após a troca.

No entanto, em 2024, um cruzamento de dados realizado pelos sistemas de identificação acabou apontando inconsistências nas documentações dos dois. Segundo o advogado responsável pelo caso, o avanço tecnológico e os novos mecanismos de inteligência artificial utilizados nos sistemas de conferência contribuíram para que a irregularidade fosse descoberta.

A situação resultou na prisão dos dois primos, gerando grande repercussão e preocupação familiar. Após atuação da defesa, ambos conseguiram liberdade e iniciaram um processo judicial para regularizar definitivamente a situação documental.

De acordo com o advogado, o principal argumento apresentado à Justiça foi o chamado princípio da estabilização social, já que durante mais de 20 anos toda a sociedade reconhecia os dois pelas identidades utilizadas após a troca. Além disso, vínculos familiares, profissionais, bancários e civis já estavam completamente consolidados.

Em 2026, a Justiça autorizou oficialmente a manutenção dos nomes que ambos utilizavam há décadas, encerrando o impasse judicial e colocando fim ao caso que começou por conta de um sonho no futebol e acabou se transformando em uma complexa disputa envolvendo identidade civil e reconhecimento social.


Emille Scheidt / Clique Notícias
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