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Reunião sobre usina fotovoltaica de R$ 10 milhões termina em bate-boca entre prefeito e vereadores em Alta Floresta

Encontro convocado pelo próprio Executivo para esclarecer dúvidas sobre o projeto começou com troca de acusações, discussão acalorada e cobranças sobre a aplicação de recursos públicos;...

Reunião sobre usina fotovoltaica de R$ 10 milhões termina em bate-boca entre prefeito e vereadores em Alta Floresta

O que deveria ser uma visita técnica para apresentação dos materiais adquiridos para a implantação da usina fotovoltaica de Alta Floresta acabou se transformando em um dos momentos mais tensos da relação entre Executivo e Legislativo neste ano. A reunião, convocada pelo próprio prefeito Valdemar Gamba (Chico Gamba), foi marcada por um bate-boca envolvendo vereadores e integrantes da administração municipal antes mesmo do início das discussões sobre o projeto.

O encontro ocorreu na manhã desta terça-feira (3), na Secretaria Municipal de Infraestrutura. A visita havia sido comunicada previamente aos parlamentares por meio de convite oficial encaminhado pelo Executivo, com o objetivo de apresentar os equipamentos adquiridos para o sistema de geração de energia solar, projeto que envolve aproximadamente R$ 10 milhões em investimentos públicos.

Antes de seguir para a reunião, o vereador Luciano Silva gravou um vídeo informando que o objetivo dos parlamentares era buscar esclarecimentos sobre a execução do projeto e sanar dúvidas relacionadas ao andamento da obra.

"Precisamos tirar dúvidas e também fazer alguns questionamentos ao prefeito e ao vice-prefeito. Os vereadores vão estar todos reunidos lá a partir de agora", afirmou.

Discussão começou antes dos esclarecimentos

No entanto, o clima de diálogo esperado para a visita foi rapidamente substituído por uma discussão acalorada.

Logo no início do encontro, o prefeito Chico Gamba criticou a postura dos parlamentares e afirmou que a atuação deles representava uma "vergonha".

"Isso que vocês fazem é uma vergonha", declarou.

A fala provocou reação imediata dos vereadores presentes.

Luciano Silva rebateu a declaração e afirmou que a fiscalização é uma obrigação constitucional do Poder Legislativo.

"Fiscalizar é uma vergonha mesmo? Para você deve ser vergonhoso fiscalizar. Os vereadores fiscalizarem é vergonhoso mesmo?", questionou.

Durante a troca de acusações, o vereador também afirmou que a Câmara continuará exercendo seu papel fiscalizador independentemente das divergências políticas.

"A fiscalização vai continuar. Querendo ou não, a gente vai continuar. Onde tiver órgão público que der para fiscalizar, a gente vai fiscalizar", declarou.

"Não somos marionetes"

A discussão ganhou novos contornos quando o vereador Dida Pires saiu em defesa da autonomia da Câmara Municipal e cobrou respeito à independência entre os poderes.

"A gente tem que ir à Câmara. Nós não ficamos procurando o senhor. Nós não somos marionetes do senhor não. O senhor tem que respeitar a Câmara Municipal", afirmou.

Em outro momento da discussão, Luciano Silva classificou a situação como prejudicial para a imagem do município e criticou o rumo que o encontro estava tomando.

"Chico, isso é uma vergonha. É uma vergonha para Alta Floresta. O prefeito de Alta Floresta está tendo uma má confusão", disse.

Segundo os vereadores, o bate-boca acabou desviando momentaneamente o foco principal da agenda, que era justamente esclarecer dúvidas sobre um dos contratos mais relevantes atualmente em execução no município.

Reunião foi retomada após tensão

Após vários minutos de discussão, os ânimos foram gradativamente sendo controlados e uma conversa improvisada ocorreu na área externa da secretaria.

Somente após esse momento o encontro voltou ao objetivo original e passou a tratar dos aspectos técnicos e administrativos relacionados ao projeto da usina fotovoltaica.

Durante os esclarecimentos, o vice-prefeito Robson Quintino afirmou que a Prefeitura tem acompanhado de perto a execução contratual e adotado medidas para proteger o interesse público.

Segundo ele, o município rejeitou propostas que alterariam características previstas originalmente no contrato e também tomou precauções para evitar situações que pudessem resultar em custos adicionais para os cofres públicos.

"Estamos tratando isso com muita atenção. O contrato foi feito para uma finalidade específica e estamos trabalhando para garantir que ele seja cumprido dentro daquilo que foi contratado", afirmou.

Câmara questiona pagamentos e andamento da obra

Durante a reunião, os vereadores reforçaram que as cobranças não possuem caráter político, mas decorrem da obrigação legal de fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.

Um dos principais pontos levantados foi o volume financeiro já desembolsado pelo município.

Segundo o vereador Dida Pires, aproximadamente R$ 7,5 milhões já foram pagos dentro de um projeto que gira em torno de R$ 10 milhões.

"A preocupação da Câmara Municipal é justamente isso. Nós queremos realmente que funcione, que seja instalado, porque são cerca de R$ 10 milhões de investimento. Aproximadamente R$ 7 milhões e meio já foram pagos", afirmou.

O parlamentar informou ainda que a Câmara pretende formalizar um requerimento para ouvir representantes da empresa responsável pelo projeto, permitindo que os vereadores tenham acesso direto às informações sobre a execução do contrato.

Prazo chama atenção dos vereadores

Outro ponto abordado durante a reunião foi o tempo decorrido desde a aquisição dos equipamentos.

O vereador Darlan Carvalho observou que os materiais foram adquiridos ainda no ano passado e que a demora na implantação tem gerado dúvidas tanto entre os parlamentares quanto na população.

"Isso aqui foi comprado em setembro. Nós estamos em maio. Vai fazer praticamente um ano", destacou.

Segundo ele, a intenção dos vereadores não é criar conflitos institucionais ou promover disputas políticas, mas garantir transparência e fornecer informações corretas à população.

"O Legislativo é independente do Executivo. Nossa intenção não é fazer bagunça. É trazer informação para a população", afirmou.

Fiscalização continuará

Ao final do encontro, Luciano Silva reforçou que os vereadores continuarão acompanhando todas as etapas do projeto de energia fotovoltaica e cobrando esclarecimentos sempre que considerarem necessário.

Segundo ele, a fiscalização não tem como objetivo atacar a administração municipal, mas assegurar que os recursos públicos sejam aplicados corretamente e que o projeto seja efetivamente concluído.

"O que nós queremos desde o início não é atacar a Prefeitura, não é colocar dúvida na cabeça da população. É entender o processo que está acontecendo e defender o dinheiro público, o dinheiro que é seu, o dinheiro que é meu, o dinheiro que é nosso", declarou.

A implantação da usina fotovoltaica se tornou um dos assuntos mais debatidos dos últimos meses em Alta Floresta. O elevado valor do investimento, os pagamentos já realizados, os equipamentos armazenados e o andamento da execução contratual têm sido alvo constante de questionamentos por parte dos vereadores e também da população.

Com a promessa de novos requerimentos e futuras oitivas na Câmara Municipal, o tema deve continuar no centro do debate político nas próximas semanas.

Redação
03 de junho de 2026
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