Polícia
Acusado de feminicídio em Nova Bandeirantes já cumpria pena e possui histórico de sete fugas do sistema prisional
Justiça converteu prisão em flagrante em preventiva; vítima era testemunha em outro processo criminal que tramita contra o investigado
A Justiça de Mato Grosso manteve preso preventivamente Jonadabe Pereira Santos, de 33 anos, acusado de matar a companheira Ana Claudia dos Santos Veiga, de 22 anos, e ocultar o corpo da vítima em uma fossa no quintal da residência do casal, em Nova Bandeirantes.
A decisão foi proferida durante audiência de custódia realizada no domingo (14), no Plantão Judiciário da Comarca de Alta Floresta. Ao converter a prisão em flagrante em preventiva, o juiz Tibério de Lucena Batista apontou não apenas a gravidade do crime, mas também o extenso histórico criminal do investigado.
Segundo a decisão, Jonadabe já cumpria pena em regime semiaberto e possui condenações por furto qualificado, roubo, porte ilegal de arma de fogo, corrupção de menores e lesão corporal praticada em contexto de violência doméstica.
O magistrado destacou ainda que o acusado acumula registros de pelo menos sete fugas do sistema prisional entre os anos de 2014 e 2018, sendo posteriormente recapturado em todas as ocasiões.
O crime ocorreu na madrugada de sábado (13). Conforme os autos, o suspeito relatou que retornou para casa após passar a noite em um bar da cidade, onde consumiu bebida alcoólica e cocaína. Ao chegar à residência, afirmou ter encontrado a companheira mantendo relações sexuais com outro homem.
Ainda segundo o processo, Jonadabe pegou um facão e atingiu a vítima com diversos golpes na região da cabeça e do rosto. O homem que estava no local conseguiu fugir pela janela.
Um detalhe que chamou a atenção da Justiça é que o filho do casal, uma criança de apenas dois anos, dormia no mesmo quarto onde o homicídio ocorreu.
Após o crime, o acusado teria arrastado o corpo até uma fossa existente no quintal da residência, onde o lançou na tentativa de ocultar o cadáver. Em seguida, tomou banho, trocou as roupas da criança e deixou Nova Bandeirantes em um táxi com destino a Alta Floresta.
Quando localizado pela Polícia Militar, o investigado confessou o crime e indicou o local onde havia escondido o corpo. A informação foi confirmada posteriormente pelas equipes policiais que encontraram a vítima exatamente no ponto indicado.
Outro aspecto destacado na decisão judicial é que Ana Claudia figurava como testemunha em um processo criminal que tramita contra Jonadabe. O acusado também é investigado em procedimentos relacionados a crimes de estupro de vulnerável.
Para o magistrado, a liberdade do investigado representaria risco concreto à ordem pública, à instrução criminal e à aplicação da lei penal, especialmente diante do histórico de reiteração criminosa e das sucessivas fugas registradas durante o cumprimento de pena.
A Justiça também negou eventual possibilidade de prisão domiciliar, mesmo diante da existência de um filho menor de idade, entendendo que a legislação impede o benefício em casos de crimes praticados com violência grave contra a pessoa.
O Conselho Tutelar e a Justiça da Infância e Juventude foram comunicados para adoção das medidas de proteção à criança, que ficou sem os pais após a morte da mãe e a prisão do pai.
Com a decisão, Jonadabe Pereira Santos permanecerá recolhido na Cadeia Pública de Alta Floresta até nova deliberação judicial.

