Polícia

Feminicídios crescem em MT e violência contra mulher passa de 54 mil casos em 2025

Anuário da Mulher aponta aumento dos feminicídios no Estado, crescimento dos casos de violência psicológica e mais de 18 mil medidas protetivas expedidas pela Justiça.

Feminicídios crescem em MT e violência contra mulher passa de 54 mil casos em 2025

Mato Grosso registrou 95 mortes violentas de mulheres em 2025, segundo dados do 3º Anuário da Mulher de Mato Grosso, elaborado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT). Desse total, 53 casos foram classificados como feminicídio, o que representa 56% de todos os assassinatos de mulheres registrados no Estado no período.

Embora o total de mortes de mulheres tenha apresentado redução de 4% em relação a 2024, quando foram registrados 99 casos, o número de feminicídios cresceu 13%, passando de 47 para 53 vítimas. O dado evidencia que a violência de gênero segue como um dos principais desafios da segurança pública em Mato Grosso.

A violência letal contra mulheres atingiu dezenas de municípios mato-grossenses. Entre as cidades com maior número de mortes de mulheres estão Cáceres e Cuiabá, com sete vítimas cada; Sinop, com seis; Rondonópolis e Várzea Grande, com cinco; além de Aripuanã, Lucas do Rio Verde, Peixoto de Azevedo, Sorriso e Tangará da Serra, com três casos cada.

Quando a análise considera apenas os feminicídios, Sinop aparece como a cidade com maior número de vítimas, totalizando cinco casos. Na sequência estão Cuiabá, Lucas do Rio Verde e Várzea Grande, com três feminicídios cada. Cáceres, Guarantã do Norte, Nobres, Nova Mutum, Rondonópolis e Sorriso registraram dois casos cada.

O anuário mostra ainda que quase metade das mortes de mulheres em Mato Grosso teve como motivação a violência doméstica, responsável por 49% dos casos. Facções criminosas aparecem em segundo lugar, com 25% das ocorrências letais.

Outro dado que chama atenção é o local onde esses crimes acontecem. Das 95 mortes registradas, 47 ocorreram dentro de residências particulares, reforçando que o ambiente doméstico continua sendo um dos principais cenários de risco para mulheres.

As vítimas estavam, em sua maioria, em idade jovem e adulta. As faixas etárias de 25 a 29 anos e de 30 a 35 anos registraram 19 mortes cada, enquanto mulheres entre 36 e 45 anos também somaram 19 vítimas.

Além das mortes, Mato Grosso contabilizou 54.944 ocorrências de violência contra mulheres de 18 a 59 anos em 2025. A ameaça foi o crime mais registrado, com 18.911 casos, seguida por lesão corporal, com 9.970 registros, injúria, com 6.727, e violência psicológica, que saltou de 2.259 para 3.722 ocorrências, aumento de 65%.

Outro ponto de alerta foi o crescimento das tentativas de feminicídio, que passaram de 66 registros em 2024 para 124 em 2025, alta de 88%.

Na região de Alta Floresta, a RISP 9, que também engloba Apiacás, Carlinda, Colíder, Nova Bandeirantes, Nova Canaã do Norte, Nova Monte Verde e Paranaíta, registrou 1.836 ocorrências de violência contra a mulher em 2025, ocupando a nona posição entre as 15 regiões de segurança pública do Estado.

No enfrentamento à violência de gênero, a Polícia Civil informou a expedição de 18.233 medidas protetivas de urgência e mais de 13 mil avaliações de risco ao longo do ano. Já a Polícia Militar atendeu 7.160 mulheres por meio da Patrulha Maria da Penha e realizou mais de 12 mil visitas solidárias.

Os dados reforçam a necessidade de ações permanentes de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.

Na região norte, os dados do anuário dialogam com uma tragédia registrada nesta semana em Nova Bandeirantes. Ana Claudia dos Santos Veiga, de 22 anos, foi morta pelo companheiro, Jonadabe Pereira Santos, de 34 anos, que confessou ter cometido o crime com golpes de facão e escondido o corpo da vítima em uma fossa no quintal da residência do casal. Ele foi preso em Alta Floresta, para onde fugiu levando o filho de dois anos, e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça.


Redação
18 de junho de 2026
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