SEM ACORDO
Audiência na Justiça coloca frente a frente jornalistas e companhia de água após fatura de mais de R$ 4 mil
Oliveira Dias e Daiane Carvalho tiveram o fornecimento de água suspenso, e o relógio continuou girando
Sem acordo na primeira audiência
Realizada nesta terça-feira, dia 23, a primeira audiência de conciliação entre os jornalistas Oliveira Dias e Daiane Carvalho, apresentadores da TV Nativa, emissora afiliada à Record em Alta Floresta-MT, e a concessionária de água responsável pelo município terminou sem qualquer proposta de acordo por nenhuma das partes. O encontro marca o primeiro embate judicial sobre um caso que envolve falhas técnicas, cobranças abusivas e perseguição.
O início da crise: fatura milionária e relógio que gira sozinho
Tudo começou em abril, quando os profissionais foram surpreendidos com uma fatura no valor superior a R$ 4 mil. Suspeitando de erro, emitiram notificação extrajudicial pedindo a suspensão da cobrança, a troca do medidor — diante de indícios claros de defeito — e o recálculo pela média de consumo.
Mesmo com a tentativa de diálogo, a empresa ignorou as reivindicações, manteve a cobrança e efetuou o corte do fornecimento. A situação ganhou contornos ainda mais absurdos quando os jornalistas flagraram que, mesmo com a água cortada, o ponteiro do relógio continuava girando, registrando surpreendentes 200 metros cúbicos consumidos em um dia, sem qualquer ligação ativa.
Violação de corte e ameaças
Posteriormente, a própria companhia detectou a falha no sistema e alterou o mecanismo de interrupção, mas as câmeras de segurança da residência flagraram um funcionário da empresa violando o corte original para instalar um novo sistema.
Para piorar, os jornalistas receberam mensagens de texto em seus celulares insinuando que eles teriam fraudado o corte, caracterizando o ato como crime. Diante da violação patrimonial e da acusação vexatória, registraram Boletim de Ocorrência por violação de direito e constrangimento ilegal.
Decisão judicial garante o retorno da água
Após mais de 20 dias sem água, a Justiça de Mato Grosso acolheu a argumentação da defesa e determinou, em caráter liminar, o imediato religamento do fornecimento na residência do casal, enquanto a discussão sobre o mérito segue em tramitação.
A ausência de acordo na audiência de conciliação sinaliza que a disputa seguirá para a fase de instrução e julgamento, quando as provas — incluindo os vídeos do relógio defeituoso, as imagens da violação e as mensagens de acusação — serão analisadas pelo magistrado.

