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CPI da Água: quem abriu a investigação fica sem o comando da comissão
Luciano pediu apoio para presidir ou relatar a comissão e alertou sobre possível concentração dos cargos; na votação, Claudinei e Elisa venceram com três votos cada
A primeira reunião da CPI criada para investigar o contrato e os serviços prestados pela concessionária de água e esgoto de Alta Floresta começou, nesta segunda-feira (14), com uma disputa que deixou evidente o peso da articulação política dentro da comissão. A reunião de instalação ocorreu pela manhã, no plenário da Câmara Municipal, e contou com a presença dos cinco integrantes titulares: Francisco Ramos da Silva (Chicão do Moto Cross), Elisa Gomes Machado, Claudinei de Souza Jesus, Silvino Carlos Pires Pereira (Dida Pires) e Darli Luciano da Silva.
Antes da votação para definir presidente e relator, o vereador Luciano fez questão de registrar que ele, Darlan e Dida haviam iniciado as denúncias relacionadas à situação da água no município junto ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público e, posteriormente, apresentado a proposta de criação da CPI.
Luciano também revelou durante a sessão que já havia recebido informações de que vereadores da base do Executivo Municipal poderiam ficar com os dois principais cargos da comissão.
“A gente já tem uma pré-informação de que a base do Executivo Municipal estaria à frente, tanto na presidência quanto na relatoria”, afirmou o vereador.
Na sequência, Luciano pediu aos demais integrantes que considerassem sua participação no comando da investigação.
Ele colocou seu nome para a presidência e afirmou que, caso não fosse escolhido, estaria disposto a assumir a relatoria.
O argumento apresentado foi justamente o fato de ele, Dida e Darlan terem acompanhado as denúncias desde o início e já possuírem documentos e informações sobre o caso.
Luciano ainda fez um alerta sobre a possibilidade de a população desconfiar da independência da CPI caso os dois principais cargos ficassem concentrados entre vereadores da base do Executivo.
“Não deixe somente a base do Executivo Municipal fazer isso para que não fique uma coisa de que vai terminar tudo em pizza”, declarou.
E a previsão se confirmou
Encerrados os discursos, começou a votação. Para a presidência, foram apresentados dois nomes: Luciano e Claudinei.
O resultado foi de três votos para Claudinei e dois para Luciano. Votaram em Claudinei os vereadores Chicão, Elisa e o próprio Claudinei. Luciano e Dida votaram em Luciano.
Na sequência, veio a eleição para relator. Novamente, dois nomes foram apresentados: Luciano e Elisa. E novamente o resultado foi de três votos a dois, desta vez favorável à vereadora Elisa. Chicão, Elisa e Claudinei votaram em Elisa. Dida e Luciano votaram em Luciano.
Assim, a mesma maioria de três votos que garantiu a presidência a Claudinei também garantiu a relatoria a Elisa.
“A CPI não é de vereadores”, destacou Elisa.
Antes da votação, Elisa fez questão de rebater a ideia de que algum vereador poderia ser considerado “dono” da investigação.
Segundo ela, a CPI pertence à Câmara Municipal e todos os integrantes teriam a mesma responsabilidade.
A vereadora afirmou ainda que, independentemente de ser base ou oposição, faria o mesmo trabalho e defendeu que eventuais irregularidades fossem responsabilizadas.
Chicão também afirmou que a comissão deveria atuar independentemente de posições políticas e declarou que, caso encontrasse algo errado, não haveria distinção entre base e oposição.
O detalhe político
Apesar dos discursos em defesa da independência da CPI, o resultado da eleição produziu uma fotografia política bastante clara.
Os três votos que garantiram a presidência a Claudinei foram exatamente os mesmos três votos que garantiram a relatoria a Elisa.
Do outro lado ficaram Luciano e Dida.
O fato ganha ainda mais peso porque, minutos antes, Luciano havia afirmado publicamente que já existia uma informação prévia de que a base do Executivo poderia assumir os dois principais cargos.
Não houve, durante a sessão, confirmação formal de um acordo prévio entre os três vereadores. O que houve foi uma votação aberta, nominal e registrada em plenário e nela Claudinei e Elisa conquistaram exatamente os três votos necessários para controlar os dois principais postos da CPI.
Agora começa o trabalho
Com Claudinei na presidência e Elisa na relatoria, a comissão começa oficialmente os trabalhos de investigação.
Durante a reunião, Dida defendeu a contratação de uma equipe especializada, incluindo profissionais da área jurídica, engenharia sanitária ou química e auditoria contábil, para auxiliar na análise do contrato, da estrutura de tratamento de água e esgoto, das receitas e dos sucessivos reajustes e alterações ocorridos ao longo dos anos.
O presidente eleito afirmou que pretende conduzir os trabalhos respeitando o Regimento Interno, a legislação e os limites estabelecidos no requerimento que originou a CPI.
A comissão terá agora a oportunidade de mostrar, na prática, se os discursos de independência feitos durante a instalação serão acompanhados por uma investigação rigorosa.
A disputa pelo comando já terminou. Agora começa a parte que interessa à população: descobrir o que existe — ou não existe — por trás dos problemas apontados no serviço de água e esgoto do município.
E, depois de toda a movimentação política desta segunda-feira, uma coisa é certa: a CPI mal começou e já tem bastante gente olhando para ela.
