Agronegócio
Brasil esgota em tempo recorde cota de exportação de carne bovina para os EUA
Pelo restante de 2026 a carne bovina brasileira passará a pagar a tarifa fora da cota, de 26,4%, para entrar no mercado norte-americano
O Brasil esgotou em tempo recorde a cota de exportação de
carne bovina isenta de tarifas para os Estados Unidos referente ao ano civil de
2026, apontou relatório do serviço de alfândega e proteção de fronteiras
norte-americano. O movimento foi impulsionado pela escassez do produto no
mercado interno do País.
O relatório semanal, divulgado na noite de terça-feira, 14,
mostra que o Brasil atingiu integralmente sua cota em 6 de janeiro. O País
exporta para os EUA por meio da chamada cota de Nação Mais Favorecida (MBN)
destinada a “Outros Países” — mecanismo aplicado a países sem acordo comercial
com os Estados Unidos e de volume limitado.
O ritmo acelerado das exportações brasileiras não é inédito,
mas se intensifica a cada ano. Em 2025, o Brasil atingiu sua cota em 17 de
janeiro. Em 2024, o limite foi alcançado em março e, no ano anterior, apenas em
maio. Com o esgotamento da cota, agora, toda a carne bovina brasileira
embarcada para os Estados Unidos pelo restante de 2026 passará a pagar a tarifa
fora da cota. Atualmente, essa tarifa é de 26,4%.
Além da escassez de carne bovina nos EUA, o tempo recorde
foi resultado de uma mudança recente na política comercial norte-americana.
Embora a cota para “Outros Países” já fosse restrita — originalmente de 65 mil
toneladas —, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na semana passada a
retirada de 13 mil toneladas desse volume que foram transferidas ao Reino
Unido, em troca de acesso recíproco da carne bovina norte-americana ao mercado
britânico.
Na prática, a medida reduziu a cota disponível ao Brasil e a
outros exportadores para apenas 52 mil toneladas em 2026, acelerando o
esgotamento do volume permitido. Outro fator que contribuiu para o rápido
preenchimento da cota foi a quantidade de carne bovina brasileira já estocada
em armazéns frigorificados alfandegados nos EUA, com liberação prevista para o
início do novo ano civil. Exportadores e importadores buscaram antecipar
operações para mitigar, ainda que temporariamente, o impacto da tarifa extra.
Baixa competitividade frente a Austrália
Sem um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, o
acesso da carne bovina do Brasil ao mercado norte-americano segue condicionado
ao sistema de cota e tarifa. Em contraste, a Austrália dispõe de uma cota
bilateral isenta de tarifas de 378.214 toneladas em 2026. Até o último dia 12
de janeiro, o País havia embarcado 10.660 toneladas (2,82%) ao mercado
norte-americano.

