Feminicídio
Caso Raquel Cattani entra em fase decisiva com júri marcado e regras rígidas para a imprensa
Julgamento do feminicídio que chocou Mato Grosso ocorre no dia 22, em Nova Mutum, com acesso limitado ao plenário e restrições à cobertura jornalística
Um dos crimes de feminicídio mais marcantes de Mato Grosso entra agora em uma fase decisiva. O assassinato da produtora rural Raquel Cattani, filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), será levado a julgamento nos próximos dias. O Tribunal do Júri, marcado para o dia 22, ocorre sob regras específicas definidas pela 3ª Vara da Comarca de Nova Mutum, que estabeleceu normas rigorosas para a cobertura jornalística e o acesso do público ao plenário.
Raquel Cattani, produtora rural em Nova Mutum e filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), foi assassinada a facadas dentro de sua própria residência, no dia 18 de julho de 2024. Conforme a denúncia do Ministério Público, Rodrigo, ex-cunhado da vítima, é apontado como o autor dos golpes, enquanto Romero, ex-marido de Raquel, teria sido o autor intelectual do crime. O caso teve grande repercussão em Mato Grosso.
Segundo o Tribunal de Justiça, as medidas adotadas têm como objetivo garantir a segurança, manter a ordem dos trabalhos, assegurar a imparcialidade dos jurados e preservar a dignidade da vítima durante o julgamento.
De acordo com orientação do Corpo de Bombeiros Militar, a capacidade máxima do plenário é de 60 pessoas. Deste total, 10 vagas serão destinadas ao público externo e à imprensa, com acesso controlado. Outras 25 vagas foram reservadas para familiares e pessoas próximas da vítima e dos réus, enquanto as 25 vagas restantes serão destinadas ao público em geral.
O trabalho jornalístico não será permitido dentro do plenário. As informações sobre o andamento da sessão poderão ser repassadas apenas fora do ambiente interno, por meio de ligações telefônicas ou registros externos.
As inscrições para o público interessado devem ser feitas até as 14h do dia 20, por meio do telefone disponibilizado no site do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Caso o número de inscritos ultrapasse o limite de vagas, será realizado sorteio.
Também está proibido o uso de celulares, notebooks, gravadores e outros aparelhos eletrônicos dentro do plenário. A restrição vale para todos os presentes, com exceção da magistrada, advogados, servidores e profissionais que atuam diretamente no processo. O controle será realizado pela Polícia Militar, com utilização de detectores de metal.
A decisão judicial ainda veda manifestações públicas de autoridades durante o julgamento, com o objetivo de evitar interferências externas e garantir a imparcialidade do Conselho de Sentença. O acesso ao saguão do fórum será permitido apenas a pessoas previamente autorizadas.

