Polícia

Angeliquinha, apontada como líder do Comando Vermelho em Alta Floresta, é alvo de operação contra esquema de R$ 20 milhões

Filha, genro e outros familiares da faccionada foram presos durante a Operação Showdown; investigada está foragida desde fuga de presídio em 2025

Angeliquinha, apontada como líder do Comando Vermelho em Alta Floresta, é alvo de operação contra esquema de R$ 20 milhões

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), a Operação Showdown, que tem como principal alvo Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha” ou “Bibi Perigosa”, apontada pelas autoridades como uma das lideranças da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na região de Alta Floresta.

A investigada está foragida desde agosto de 2025, quando escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, junto com outra detenta. Angeliquinha possui condenações que, somadas, ultrapassam 250 anos de prisão.

A operação desta quinta-feira cumpriu 31 ordens judiciais, incluindo quatro mandados de prisão, sete mandados de busca e apreensão, sequestro de seis veículos, quatro imóveis, bloqueio de sete contas bancárias e suspensão de três empresas. As ordens foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop e cumpridas nas cidades de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.

Entre os presos estão familiares próximos da faccionada, incluindo o pai, a filha e o genro, apontados pela investigação como responsáveis por movimentar e ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas operado pela organização criminosa.

De acordo com o delegado da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá, Victor Hugo Caetano de Freitas, a operação foi resultado de uma investigação aprofundada que identificou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa.

Segundo o delegado, os familiares da investigada atuavam diretamente na movimentação e ocultação de recursos obtidos com atividades ilícitas, utilizando principalmente empresas de fachada e plataformas de apostas online.

“Os familiares dessa suspeita, que está foragida desde agosto de 2025, realizavam atividades criminosas de lavagem de dinheiro utilizando plataformas de apostas, popularmente conhecidas como ‘tigrinho’, além de empresas de fachada”, afirmou.

Ainda conforme a investigação, o grupo teria movimentado mais de R$ 20 milhões em cerca de um ano e meio, valor considerado incompatível com qualquer atividade formal declarada pelos investigados.

O delegado também destacou que os suspeitos mantinham um padrão de vida elevado, sem possuir ocupações que justificassem o patrimônio.

“Eles viviam uma vida luxuosa e completamente incompatível com qualquer atividade laboral conhecida, movimentando valores extremamente altos”, completou.

A Polícia Civil informou que o inquérito policial segue em andamento e, após a conclusão das investigações, o caso será encaminhado ao Poder Judiciário para responsabilização criminal dos envolvidos.

Esquema milionário

De acordo com as investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e pela Delegacia de Polícia Civil de Alta Floresta, o núcleo familiar teria movimentado mais de R$ 20 milhões em cerca de um ano e sete meses.

Os investigadores apontam que o grupo utilizava empresas de fachada nos ramos de calçados, beleza e roupas multimarcas para dar aparência legal ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas.

Outro mecanismo de lavagem identificado foi o uso de plataformas digitais de jogos de azar online, nas quais os valores eram apresentados como supostos ganhos em apostas.

Garimpo ilegal e apoio ao crime

A apuração também indica que parte do esquema envolvia garimpo irregular na região norte de Mato Grosso. Segundo a polícia, o pai de Angeliquinha seria responsável por administrar a atividade, além de gerenciar um bar e prostíbulo nas proximidades de Nova Bandeirantes.

O local também seria utilizado como ponto de apoio para extorsões contra garimpeiros e tráfico de drogas, enquanto o ouro extraído poderia servir como forma de ocultar recursos ilícitos.

Ostentação nas redes sociais

A filha de Angeliquinha, Kauany Beatriz, também aparece nas investigações. Ela ganhou notoriedade nas redes sociais divulgando plataformas de jogos de azar online, popularmente conhecidas como “jogo do tigrinho”, e se apresentava como “jogadora de slots”.

Com mais de 40 mil seguidores no Instagram, a jovem compartilhava publicações de viagens internacionais, carros de luxo e aquisições de alto valor.

Evento investigado pela polícia

O casal já havia sido citado em uma ocorrência registrada em 12 de outubro de 2025, quando a Polícia Militar realizou uma operação no bairro Vila Nova, em Alta Floresta, após informações de que integrantes do Comando Vermelho estariam promovendo um evento de Dia das Crianças financiado pela facção.

No local, foram encontrados brinquedos, alimentos, barracas e estrutura recreativa. Segundo a polícia, o evento teria sido usado como forma de propaganda e fortalecimento territorial da facção criminosa.

Combate ao crime organizado

A Operação Showdown integra as ações estratégicas da Polícia Civil dentro do programa estadual de combate às facções criminosas. A ofensiva faz parte da Operação Pharus, inserida no programa Tolerância Zero, voltado ao enfrentamento do crime organizado em Mato Grosso.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos e ampliar o rastreamento do patrimônio ligado ao grupo criminoso.


Redação - assessoria
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