Sem serviço para animais de rua
Prefeito Chico Gamba veta projeto que previa criação de Centro Municipal de Controle de Zoonoses em Alta Floresta
Proposta aprovada pelos vereadores previa acolhimento, tratamento e incentivo à adoção de animais de rua, mas foi barrada pelo Executivo por possíveis impedimentos legais e financeiros.
O prefeito de Alta Floresta, Valdemar Gamba, vetou integralmente o Projeto de Lei nº 058/2025, que previa a criação do Centro Municipal de Controle de Zoonoses e do Serviço Municipal de Acolhimento e Adoção de Animais Domésticos no município.
O veto foi oficializado nesta quinta-feira (12) por meio do Veto nº 002/2026, encaminhado para análise da Câmara Municipal de Alta Floresta e publicado no Diário Oficial de Contas do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso.
A proposta havia sido apresentada por vereadores e tinha como objetivo estruturar políticas públicas voltadas à proteção e ao bem-estar animal, além de instituir um serviço municipal destinado ao acolhimento e adoção de animais domésticos, especialmente aqueles em situação de abandono nas ruas.
De acordo com o prefeito de Alta Floresta, Valdemar Gamba, a criação de políticas públicas voltadas à causa animal é uma demanda da população, já que o município ainda não possui um serviço público estruturado para atendimento de animais em situação de abandono.
Mesmo reconhecendo a relevância do tema, o chefe do Executivo optou pelo veto após análise técnica e jurídica que apontou possíveis impedimentos de ordem constitucional e administrativa.
Vício de iniciativa
Segundo a justificativa encaminhada ao Legislativo, o principal motivo do veto é o chamado “vício de iniciativa”. De acordo com o Executivo municipal, a criação, organização e definição de atribuições de órgãos públicos é uma competência privativa do chefe do Poder Executivo.
Dessa forma, projetos que tratem da criação de estruturas administrativas ou que imponham atribuições a órgãos da Prefeitura não poderiam ser apresentados por vereadores, pois isso configuraria interferência do Legislativo na organização administrativa do município.
Ainda conforme a mensagem de veto, o projeto também estabelecia regras detalhadas de funcionamento do futuro centro de zoonoses, o que, segundo o Executivo, reforça a caracterização de interferência na gestão administrativa da Prefeitura.
Prazo e impacto financeiro
Outro ponto destacado pela administração municipal é que o projeto previa um prazo de 180 dias para que o município estruturasse fisicamente o centro de zoonoses e colocasse o serviço em funcionamento.
Para o Executivo, a definição de cronograma pelo Legislativo também invade a autonomia administrativa da Prefeitura para planejar obras, serviços e políticas públicas.
A justificativa do veto ainda aponta que a proposta criaria novas despesas públicas sem indicar a fonte de recursos para custear a implantação e manutenção do serviço. Segundo o documento, o projeto não apresenta estimativa de impacto orçamentário e financeiro, o que contraria normas previstas na legislação fiscal e na própria Lei Orgânica do município.
A administração também menciona que a criação de despesas obrigatórias sem previsão orçamentária pode ferir dispositivos da Constituição Federal e da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Projeto pode voltar à pauta
O projeto é de autoria dos vereadores Leonice Klaus, Reginaldo Luiz da Silva, Francisco Ramos da Silva, Darli Luciano da Silva e Claudinei de Souza Jesus, que defendem a iniciativa como uma medida para fortalecer as políticas públicas de proteção animal e controle de zoonoses em Alta Floresta.
Apesar do veto, o prefeito reconheceu que a proposta possui finalidade “louvável” ao tratar da proteção animal. No entanto, afirmou que a iniciativa apresenta impedimentos legais e constitucionais.
Com a publicação do veto, o texto retorna agora para análise da Câmara Municipal. Os vereadores poderão manter a decisão do prefeito ou derrubar o veto em votação no plenário.
Caso o veto seja rejeitado pela maioria dos parlamentares, o projeto poderá ser promulgado pelo Legislativo e transformado em lei municipal.
A discussão sobre a criação de uma estrutura pública voltada ao controle de zoonoses e proteção animal deve voltar à pauta nas próximas sessões da Câmara, já que o tema tem sido cada vez mais debatido pela população e por entidades ligadas à causa animal no município.

