Política
Prefeitura oficializa exoneração de secretários do primeiro escalão em Alta Floresta
A Prefeitura de Alta Floresta oficializou, por meio de decretos publicados nesta terça-feira (17), a exoneração de dois secretários do primeiro escalão da administração municipal, em meio a um...
A Prefeitura de Alta Floresta oficializou, por meio de decretos publicados nesta terça-feira (17), a exoneração de dois secretários do primeiro escalão da administração municipal, em meio a um cenário de pressão política, desgaste administrativo e cobranças por resultados em áreas estratégicas.
De acordo com o Decreto nº 176/2026, foi exonerado do cargo de secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Urbanos o servidor Roberto Patel, que estava à frente da pasta há cerca de cinco anos e integrava a gestão desde o primeiro mandato do prefeito Valdemar Gamba.
Já por meio do Decreto nº 175/2026, também foi oficializada a exoneração de Marcelo de Alécio Costa do cargo de secretário municipal de Saúde.
Ambos os decretos são assinados pelo prefeito e passam a valer a partir das datas estabelecidas nos próprios documentos. No caso de Roberto Patel, a exoneração tem efeito a partir do dia 20 de março de 2026, enquanto a de Marcelo Costa está prevista para o dia 31 de março de 2026.
Desgaste em áreas estratégicas
As mudanças já vinham sendo apontadas nos bastidores e ocorrem em meio a um cenário de desgaste, especialmente em pastas consideradas sensíveis da gestão.
No caso da Infraestrutura, comandada por Roberto Patel, as críticas se intensificaram nos últimos meses, principalmente relacionadas às condições de vias urbanas e estradas rurais, alvo constante de reclamações da população e de vereadores.
Já na Saúde, o cenário é ainda mais delicado. Dados oficiais apontam que 37.079 pessoas estão na fila do Sistema de Regulação (SISREG) aguardando consultas, exames e procedimentos médicos na rede pública municipal.
A maior demanda está concentrada justamente em procedimentos de média complexidade, com destaque para exames de imagem como ultrassonografias.
Um documento expedido no dia 27 de fevereiro pela enfermeira responsável pela Central de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde detalha a dimensão do problema: 2.024 pacientes aguardavam por ultrassonografia transvaginal, enquanto 1.198 pessoas estavam na fila para exames das vias urinárias.
Além disso, milhares de pacientes aguardam por atendimentos em especialidades como oftalmologia, cardiologia, ortopedia e neurologia, alguns desde meados de 2025.
Apesar de um orçamento previsto de R$ 80,5 milhões para a Saúde em 2026, além de cerca de R$ 6 milhões viabilizados via programa estadual Fila Zero, a fila segue elevada, evidenciando desafios na execução dos recursos e na capacidade de atendimento da rede pública.
Documentos da própria Ouvidoria Municipal confirmam que tanto exames eletivos quanto os classificados como urgentes enfrentam limitação de vagas, impactando diretamente no tempo de espera da população.
Mudanças já eram esperadas
Diante desse cenário, as exonerações reforçam uma leitura já consolidada nos bastidores: a de que a gestão municipal precisava dar respostas diante do aumento das cobranças, tanto da população quanto do Legislativo.
As mudanças fazem parte de um movimento mais amplo de reestruturação administrativa dentro do Executivo, que deve atingir outras áreas nos próximos dias.
Até o momento, a Prefeitura ainda não detalhou oficialmente os substitutos para os cargos.

