Polícia
Polícia Civil deflagra Caronte II para desarticular “disciplinas” do tribunal do crime em Colíder
Segunda fase da operação cumpriu 18 ordens judiciais contra investigados ligados ao Comando Vermelho; apuração avançou após localização do corpo do estudante Vitor Ursolino
A Delegacia de Polícia Civil de Colíder, com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE) e da 31ª Companhia Independente da Polícia Militar de Mato Grosso, deflagrou na madrugada desta segunda-feira (22) a segunda fase da Operação Caronte, denominada Caronte II.
A ação tem como objetivo desarticular a estrutura dos chamados “disciplinas” do tribunal do crime, apontados pela polícia como integrantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho. O grupo é investigado por crimes de tortura, homicídios e outras práticas criminosas no município.
Ao todo, foram cumpridas 18 ordens judiciais, expedidas pelo Plantão Judiciário após representação da Polícia Judiciária Civil. As medidas incluem cinco mandados de prisão, uma ordem de internação, seis mandados de busca e apreensão e seis determinações de quebra de sigilo.
Segundo a Polícia Civil, a nova fase da operação é resultado do aprofundamento das investigações iniciadas após o desaparecimento de Vitor Ursolino, estudante de Direito e monitor de uma instituição de ensino de Colíder. A primeira etapa da Operação Caronte foi deflagrada no dia 16 de junho, logo após o sequestro da vítima.
Durante uma semana de diligências, equipes policiais realizaram buscas, levantamentos de informações e ações investigativas que culminaram, no último sábado (20), na localização do corpo de Vitor. De acordo com os investigadores, a descoberta confirmou a principal linha de apuração: a de que o estudante teria sido executado por determinação do chamado tribunal do crime.
No decorrer das investigações, a Polícia Civil identificou e qualificou integrantes do núcleo disciplinar da facção. Conforme apurado, esse grupo seria responsável por aplicar punições internas, executar determinações da organização criminosa e ordenar ações violentas contra pessoas consideradas infratoras das regras impostas pelo grupo.
Ainda conforme a polícia, um dos alvos apontados como responsável por determinar execuções reagiu armado durante a primeira fase da operação. Segundo o relato oficial, ele entrou em confronto com equipes da CORE e acabou morto.
Os investigados deverão responder, no âmbito das apurações relacionadas à morte de Vitor Ursolino, pelos crimes de organização criminosa de caráter ultraviolento, homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores.
Nesta nova etapa da Operação Caronte, as forças de segurança concentram os trabalhos no cumprimento das ordens judiciais, na coleta de novos elementos de prova e na prisão de suspeitos apontados como integrantes da estrutura criminosa investigada.
A Polícia Civil informou que novas medidas não estão descartadas, conforme o avanço das investigações.
