Polícia
Suspeita de impor "castigos" de facção é presa durante operação da PM em Alta Floresta
Adolescente afirmou à polícia que cumpria 90 horas de trabalho forçado como punição; no imóvel, militares apreenderam maconha e balança de precisão
Uma mulher de 31 anos foi presa pela Polícia Militar na tarde de quarta-feira (1º), em Alta Floresta, suspeita de atuar no tráfico de drogas e de participar da aplicação de punições determinadas por uma facção criminosa. A ação ocorreu em uma residência no bairro Cidade Bela, alvo de denúncias de que o local seria utilizado tanto para a comercialização de entorpecentes quanto para a execução de "castigos" impostos pela organização.
Além da suspeita, uma mulher de 28 anos e um adolescente de 17 anos foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil. Durante as buscas, os policiais apreenderam uma porção de maconha e uma balança de precisão.
Segundo o boletim de ocorrência, equipes da Força Tática Raio, do 8º Batalhão da Polícia Militar, intensificaram o patrulhamento na região após receberem informações de que a residência funcionava como ponto de tráfico e espaço para aplicação de punições contra integrantes da facção.
Ao chegarem ao endereço, os militares encontraram a principal suspeita em frente ao imóvel. Conforme o registro policial, ela tentou entrar na residência ao perceber a aproximação da viatura, mas foi abordada antes de conseguir acessar o interior da casa.
Durante a ocorrência, o adolescente chegou ao local e relatou que estava cumprindo "horas comunitárias" determinadas pela facção. De acordo com seu depoimento, ele realizava serviços de capina e limpeza como punição por ter se envolvido em uma agressão contra outro integrante do grupo criminoso. A penalidade, segundo afirmou, era de 90 horas de trabalho forçado.
As buscas realizadas no imóvel resultaram na apreensão de uma balança de precisão e de uma porção de substância análoga à maconha, encontrados em uma bolsa na sala da residência.
Ainda conforme o boletim, tanto a mulher quanto o adolescente relataram que outros membros da organização também seriam submetidos a agressões físicas e trabalhos forçados como forma de punição por dívidas ou pelo descumprimento de regras internas.
A suspeita também declarou aos policiais que havia sido agredida por determinação do companheiro, atualmente preso em Cuiabá. Ela apresentava lesões aparentes nas costas e nas pernas e afirmou que a violência teria ocorrido após sair para consumir bebida alcoólica, atitude que, segundo seu relato, contrariava normas impostas pela facção.
A mulher foi encaminhada à Delegacia de Polícia Civil juntamente com o material apreendido. O caso foi registrado pelos crimes, em tese, de tráfico de drogas, tortura, lesão corporal e ameaça.
Agora, a Polícia Civil dará sequência às investigações para apurar a participação da suspeita, verificar a existência de outras vítimas e identificar possíveis envolvidos no esquema criminoso.
