Polícia
Angeliquinha é entregue à PF em Corumbá e aguarda recambiamento para Mato Grosso
Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, já está sob custódia da Polícia Federal em Corumbá (MS), após ser capturada na Bolívia depois de mais de um ano...
Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, já está sob custódia da Polícia Federal em Corumbá (MS), após ser capturada na Bolívia depois de mais de um ano foragida. Apontada pela Polícia Civil como uma das principais lideranças de uma facção criminosa no extremo norte de Mato Grosso, ela deverá ser recambiada para o Estado após as providências determinadas pelo Judiciário.
Angeliquinha foi presa na terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em uma ação integrada entre a Polícia Civil de Mato Grosso e autoridades bolivianas. A captura encerrou uma fuga iniciada em 17 de agosto de 2025, quando ela escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Após ser localizada na Bolívia, a foragida foi conduzida até Corumbá e entregue à Polícia Federal. O retorno para Mato Grosso ainda depende das decisões e procedimentos judiciais nos dois estados.
Segundo a Polícia Civil, Angeliquinha possui seis mandados de prisão em aberto e acumula mais de 260 anos em condenações por diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa.
Durante a abordagem na Bolívia, ela apresentou um documento brasileiro falso. A investigação também aponta que a mulher teria realizado procedimentos estéticos para modificar a aparência e dificultar sua identificação.
Investigada por comandar crimes na região
As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontam que Angeliquinha exercia influência sobre atividades criminosas em Alta Floresta e municípios da região. Entre os crimes investigados estão tráfico de drogas, extorsões e atividades relacionadas à exploração ilegal de garimpos.
O delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), afirmou que a investigação atribui a Angeliquinha uma posição de liderança dentro da organização criminosa, inclusive durante o período em que ela permaneceu presa.
Segundo o delegado, mesmo dentro da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, ela teria mantido influência sobre outras detentas e integrantes da facção. Após a fuga, a Polícia Civil passou a investigar se a liderança continuou sendo exercida a partir da Bolívia.
A Polícia Civil também apura a atuação da foragida em atividades criminosas relacionadas ao tráfico de drogas, extorsões em áreas de garimpo e circulação de armamentos na região de Alta Floresta.
Fuga do presídio
Angeliquinha escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May em agosto de 2025 junto com Jéssica Leal da Silva, conhecida como “Arlequina”.
De acordo com o delegado Victor Hugo, as duas teriam aproveitado uma obra realizada na unidade prisional, na área destinada à casa de costura, para serrar grades e acessar um portão lateral construído para atender ao espaço.
Arlequina, que segundo a Polícia Civil possui ligações com atividades criminosas na região de Juína, continua sendo procurada pelas forças de segurança.
Após a fuga, a Polícia Civil passou a intensificar as buscas por Angeliquinha e também iniciou investigações para identificar possíveis pessoas que teriam dado suporte à permanência dela fora do país.
Operação Showdown
O nome de Angeliquinha voltou a aparecer com força nas investigações em março deste ano, quando a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown, voltada ao núcleo familiar ligado à investigada.
A operação cumpriu 31 ordens judiciais, incluindo quatro mandados de prisão, sete de busca e apreensão, sequestro de seis veículos e quatro imóveis, bloqueio de sete contas bancárias e suspensão de três pessoas jurídicas.
Entre os alvos estavam o pai de Angeliquinha, Paulo Felizardo de Sá, a filha dela, Kauany Beatriz de Sá Silva, e o genro, Guilherme Henrique Laureth da Silva.
Conforme as investigações, o núcleo familiar teria dado suporte às atividades criminosas e participado da movimentação de recursos de origem ilícita.
A apuração identificou movimentações superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses. Segundo a Polícia Civil, os valores seriam incompatíveis com a renda declarada pelos investigados e teriam sido movimentados por meio de empresas e outros negócios.
A investigação também apontou possíveis vínculos com atividades de garimpo irregular nas regiões de Alta Floresta e Nova Bandeirantes, além de suspeitas relacionadas a tráfico de drogas e extorsões.
Família também entrou na mira da investigação
Entre os alvos da Showdown estava filha de Angeliquinha, que tinha 20 anos à época da operação. Segundo a Polícia Civil, ela teria movimentado aproximadamente R$ 20 milhões em um período de dois anos, apesar de não apresentar renda compatível com os valores.
A investigação identificou empresas ligadas ao núcleo familiar e apontou que os negócios poderiam ter sido utilizados para dar aparência de legalidade aos recursos investigados.
A jovem teve a prisão posteriormente convertida em domiciliar pela Justiça, em razão de estar grávida e ser mãe de uma criança menor de 12 anos. O pai e o genro de Angeliquinha permaneceram presos naquele momento.
Captura na Bolívia
A localização de Angeliquinha foi resultado da troca de informações entre investigadores brasileiros e autoridades bolivianas.
Segundo a Polícia Civil, ela foi abordada em via pública em Santa Cruz de la Sierra e apresentou um documento brasileiro falso. A identificação foi confirmada pelas equipes que acompanhavam o caso.
A ação contou com a participação da Gerência de Combate ao Crime Organizado, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado, da Gerência Estadual de Polinter e das forças de segurança da Bolívia.
Depois de ser conduzida até Corumbá, Angeliquinha foi entregue à Polícia Federal, onde permanece custodiada enquanto são cumpridas as etapas necessárias para o recambiamento.
A expectativa agora é que, após as decisões judiciais, ela seja transferida para Mato Grosso e retorne ao sistema prisional para cumprimento das ordens judiciais existentes contra ela.
